COMO a OBRA ESPÍRITA CONTRIBUIRÁ PARA A MELHORA DO MUNDO ?

O TERCEIRO LEGADO

O Espiritismo não tem o caráter isolado de uma filosofia, de uma ciência ou de uma religião, porque é, ao mesmo tempo, religião, filosofia e ciência. É simultaneamente revelação divina e obra de cooperação dos Espíritos humanos desencarnados e encarnados. Tem a característica singular de ser impessoal, complementar e progressivo; primeiro, por não ser fruto da revelação de um só Espírito, nem o trabalho de um só homem; segundo, por ser a complementação natural, expressa e lógica das duas primeiras Grandes Revelações Divinas (a de Moisés e a do Cristo); terceiro, porque, como bem disse Kardec, ele jamais dirá a última palavra.

É ciência, porque investiga, experimenta, comprova, sistematiza e conceitua leis, fatos, forças e fenômenos da vida, da natureza, dos pensamentos e dos sentimentos humanos.

É filosofia, porque cogita, induz e deduz idéias e fatos lógicos sobre as causas primeiras e seus efeitos naturais; generaliza e sintetiza, reflete, aprofunda e explica; estuda, discerne e define motivos e conseqüências, comos e porquês de fenômenos relativos à vida e à morte.

É religião, porque de suas constatações científicas e de suas conclusões filosóficas resulta o reconhecimento humano da Paternidade Divina e da irmandade universal de todos os seres da Criação, estabelecendo, desse modo, o culto natural do amor a Deus e ao próximo.

Somente sendo assim como é, poderia o Espiritismo realizar a sua grande missão de transformar a Terra, de mundo de sofrimento, de provas e expiações, em orbe regenerado e pacífico, a caminho de mais altas expressões de glória cósmica. Essa missão de transformar o mundo, o Espiritismo cumprirá; não com palavrório inconseqüente, nem com tricas políticas ou com ações de força bélica, mas fazendo a Humanidade enxergar e entender a evidência das grandes leis e dos grandes fatos da vida, a imortalidade do Espírito, a justiça indefectível, o imperativo do amor.

Infinitamente superior a todas as ciências limitadas, dispensa laboratórios sofisticados, aparelhagens caras e rígidos métodos empíricos. Imensamente mais eficaz do que todas as demais filosofias conhecidas, não se perde em devaneios da inteligência, nem se limita exclusivamente a fenômenos materialmente verificáveis ou deduzíveis por meio de insuficientes raciocínios de lógica matemática. Incomparavelmente mais racional e eficiente do que qualquer outra religião, dispensa sacerdócio, altares, rituais e dogmatismos, porque atua diretamente sobre o entendimento e o coração de cada pessoa, fala à alma de cada indivíduo e assenta o seu império na mente de cada ser.

Por isso, o Espiritismo não necessita de exterioridades para empreender a reforma do mundo, porque isso ele realizará através de cada pessoa, de cada grupo de pessoas, de cada sociedade, de cada comunidade humana. Como a Doutrina Espírita tem a natureza de uma revelação progressiva e incessante, sua influência será cada vez mais específica e mais ampla, em todos os setores da atividade humana, inspirando novos rumos e novas motivações, suscitando novos pensamentos criativos e promovendo o progresso.

Através da literatura, da música, das artes plásticas, do cinema, do rádio, do teatro, da televisão, as idéias espíritas realizarão um trabalho educacional de altíssimo rendimento, semeando pensamentos mais altos e enobrecendo sentimentos. No campo da Medicina, o Espiritismo está destinado a ajudar a Ciência a descobrir e entender que, sendo o ser humano um complexo mento-físico-perispirítico, participa da natureza de três mundos distintos, que, todavia, se interpenetram e interagem: — o mundo espiritual, o mundo físico e o mundo paramaterial ou parafísico.

Em conseqüência dessa conscientização, compreender-se-á que esses três mundos, ou planos de vida, estão sujeitos, cada qual, a leis e condições evolutivas específicas, tudo neles se encontrando, desde as expressões mais rudes, até as mais sublimadas.

Desse modo, ser-nos-á lícito falar (usando, embora, terminologia ainda inadequada) em fauna e flora mentais e em fauna e flora parafísicas, do mesmo modo que nos acostumamos a falar da fauna e da flora de nosso mundo material, que chamamos físico. Assim também poderemos falar de fluidos paramateriais e de eletromagnetismo transcendente, e também de doençaas espirituais de conseqüências físicas, de doenças físicas de conseqüências espirituais e de doenças do perispírito, abrindo campo imenso para uma Nova Medicina, infinitamente maior e mais complexa, destinada a atender ao ser humano de uma maneira integral.

No futuro, além da homeopatia, da alopatia, da acupuntura e das aplicações radiológicas, da hipnoterapia e de tantos outros métodos de tratamento já em voga, teremos a mentoterapia espírita e uma magnetoterapia de amplas possibilidades.

Na Medicina Psiquiátrica, o Espiritismo está fadado a introduzir profunda inovação de conceitos e de métodos, a partir da aceitação científica da ascendência do Espírito sobre os cérebros perispiritual e físico e sobre todo o cosmo orgânico de cada ser humano. Isso, e mais o conhecimento objetivo dos processos obsessórios e dos desequilíbrios de natureza mediúnica, darão novas dimensões de entendimento e grandeza à Psiquiatria, induzindo-a a estudar as repercussões mútuas das lesões físicas, espirituais e perispirituais, para reformular todas as suas técnicas de diagnóstico e de tratamento e assim alcançar resultados mais positivos e mais consentâneos com o progresso.

Nas áreas da Psicologia e da Psicanálise, o Espiritismo introduzirá modificações fundamentais de conceituação e tratamento dos problemas clínicos, começando pela consideração dos ascendentes espirituais e cármicos determinantes de cada situação individual e grupai. Com efeito, como entender-se e tratar-se convenientemente inibições graves sem causa aparente e fobias inatas, inexplicáveis mesmo à luz da hereditariedade, senão através de vivências pretéritas, em passadas encarnações? Por falar nisso, até onde essas transatas vivências são responsáveis por difíceis quadros clínicos no campo da Pediatria? E ainda aí, quem seria capaz de medir, por agora, o valor da contribuição espírita para numerosas soluções, teóricas e práticas, ainda não encontradas para dirimir sérios desafios no âmbito da Pedagogia? Doenças de natureza cármica, afecções provenientes de choques reencarnatórios e diferenças físio-intelecto-morais de ordem evolutiva, são coisas que a Ciência oficial por enquanto desconhece, mas que, em porvir não mais remoto, há de incorporar ao rol dos seus saberes. Por outro lado, o desenvolvimento dos poderes mediúnicos da telepatia poderá revolucionar a Lingüística e conduzir -à adoção prática e fácil de uma universalização da linguagem, através da aprendizagem subliminar do Esperanto.

A pesquisa científica por processos mnemônicos de índole sonambúlica lançará luzes novas e imorredouras nos domínios da Sociologia, da Arqueologia, da Geologia e da História. O desenvolvimento aprimorado de dons medianímicos de percepção extrafísica desvendará, por meio da Astronáutica, intrigantes mistérios, e descobrirá novos mundos onde os mais modernos radiotelescópios nada acusam, ampliando, assim, e de maneira considerável, os horizontes da Astronomia.

A profunda e substancial ampliação que o Espiritismo provoca em todas as conceituações de medidas e propriedades das grandezas levará fatalmente a tão surpreendentes avanços nos raciocínios lógicos e nas formulações matemáticas, que o efeito disso obrigará à completa reavaliação dos postulados da Lógica e, conseqüentemente, a uma total renovação dos processos racionais da Filosofia, das ciências mecânicas, dos cálculos de probabilidade e das artes de representação.

A revelação da existência de mundos parafísicos e transcendentais, por enquanto ignorados pela Ciência, e das leis que regem a sua interpenetração, levará a Física a níveis infinitamente mais elevados de cogitações e de grandeza, no mesmo passo em que armará a Química para novas descobertas no campo da ação, da composição e da dissociação das substâncias.

No terreno da filosofia religiosa, a obra libertadora do Espiritismo já é mais do que evidente.

Reconceituou as antigas noções de céu, inferno, purgatório e limbo; de anjos e demônios; de bem e de mal; de ressurreição e de penitência; de amor e de trabalho; de riqueza e de cultura; de beleza e de progresso; de liberdade e de justiça. Aos desvalidos e aos doentes, aos solitários e aos tristes, aos pobres e aos perseguidos, aos injustiçados e aos aflitos, a todos renovou as esperanças num Pai Justo e Bom, num futuro sem fim, numa bem-aventurança eterna e sem limites, mas merecida e conquistada no dever bem cumprido, no trabalho bem feito, na paz da consciência limpa e na fraternidade operosa e desprendida.

Esta é, por sinal, a face mais bela da missão do Espiritismo: — consolar, enxugar lágrimas, semear as flores divinas da esperança. Por isso, o próprio Cristo, que o prometeu e o enviou, chamou-o Consolador. Ele realmente anima e conforta, ajuda e retempera. Traz-nos de volta, redivivos, os nossos mortos queridos; mantém acesos os nossos ideais, mesmo quando as nossas condições atuais de existência não nos permitem realizá-los de pronto.

Revela-nos afetos antigos, de inestimável valor, dos quais nos esquecêramos no tempo…

Foi por essa razão que o Espiritismo nasceu visceralmente ligado ao Evangelho de Jesus, do qual não se pode nunca separar. Se não fosse apostolicamente cristã, a Doutrina Espírita careceria de sentido. Seus fundamentos são o Amor e a Justiça; sua finalidade é o Bem — fonte única de verdadeira felicidade.

Com muito empenho, muita humildade e muita ênfase, advertimos a todos os irmãos em humanidade que jamais se utilizem do Espiritismo para qualquer fim menos nobre; que não se valham dele para a maldade ou para crime, e nem mesmo para a simples satisfação estéril de tolas vaidades pessoais. Saibam todos que é imensamente perigoso abusar dele, porque usar a mediunidade para o mal é abrir sobre a própria cabeça as portas do Inferno.

O Espiritismo é a mais poderosa das ciências, porque lida com forças vivas e integradas de dois planos da existência; dirigir inconscientemente essas forças integradas para o crime poderá ser genocídio, mas será necessariamente suicídio das mais desoladoras conseqüências.

A esse respeito, ninguém alegue ignorância, pois o próprio Mestre Divino a todos advertiu claramente, há dois mil anos, de que todo pecado e blasfêmia serão perdoados aos homens, mas a blasfêmia contra o Espírito não será perdoada.

Para os que fazem questão de conferir os textos sagrados, informamos que essa solene advertência está no versículo 31 do capítulo 12 das anotações de Mateus; mas além disso está gravada, em letras de fogo inapagável, na consciência viva de cada um.

Fonte – Universo e Vida (psicografia Hernane T. Sant’Anna – espírito Áureo)

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